domingo, 19 de agosto de 2007

Recursos de uma câmera digital:


. Modo manual ou automático
. Resolução (megapixels)
. Zoom analógico (ou ótico)
. Zoom digital
. Spot Meter
. 2-stage Shutter Release (disparador de dois estágios)
. Flash (embutido e externo)
. Red Eye Reduction
. Self-timer
. White Balance
. Macro
. Compensação de EV
. Ajuste manual do índice ASA
. Interpolação

Criando movimento em suas fotos



A foto é registro bi-dimensional estático de um instante do tempo. É possível registrar movimento em uma foto? Não; a foto sempre será estática, mas você pode influir no movimento do olho humano ao apreciar a foto, guiando-o na sua apreciação do registro, e criar assim uma ilusão de movimento que tornará sua foto bem mais atraente.

Esta ilusão pode ser criada tanto em retratos quanto em paisagens.

Observe a foto abaixo à esquerda. A posição da cabeça do sujeito em um dos Pontos Áureos desvia imediatamente a atenção a esse ponto. O fundo, apesar de confuso, aparece totalmente fora de foco, devido à grande abertura utilizada. Mas apesar do registro estático do garoto, a água dá movimento à foto. Note que é quase impossível observar só o garoto. Após os instantes iniciais de observação, o olhar é "convidado" a percorrer outras regiões da foto. As pequenas ondas no mar criam a primeira ilusão de movimento, e a curva percorrida pelas gotas d'água faz o olhar se movimentar, de esquerda à direita (o movimento nasce no Ponto Áureo). Atingimos, assim, nosso objetivo.

Observe outro exemplo: a posição do sujeito, que contrasta drasticamente com a posição dos espectadores ao fundo, já cria um rompimento visual, criando uma linha guia invisível para induzir o movimento do olhar.

Quando o assunto é paisagem, você deve procurar elementos que criem esta ilusão visual. Podem ser elementos naturais ou artificiais. Observe:

Nem é necessário dizer qual é o elemento que contribui ao movimento. Observe o contraste da dinâmica do segmento do meio com a estática dos segmentos superior e inferior, que contribui a realçar ainda mais o efeito.

Nem sempre é possível, nem desejável, dar "movimento" à foto. Observe o registro abaixo:

Mais estático, impossível. Entretanto, a grandiosidade do monumento já sugere um registro estático, e a abordagem é correta.

O registro de detalhes: a Macro Fotografia



Toda câmera tem uma área ou distância de focalização ("focusing range"), que geralmente vai de um e poucos metros até infinito. Se você aproxima demais a câmera ao sujeito, e a lente fica a uma distância menor que a distância mínima de focalização, o sujeito não sairá nítido.

Algumas câmeras possuem um recurso que permite fotografar a curtas distâncias: o modo Macro. Acionando este recurso, você pode fotografar a distâncias muito pequenas e captar detalhes surpreendentes. Veja um exemplo:

Em modo macro a profundidade de campo é mínima, só de alguns centímetros. A focalização correta do assunto é essencial:

Geralmente, em modo macro, a profundidade de campo é muito pequena, o que ajuda a criar a ilusão de tridimensionalidade. As velocidades utilizadas nesta modalidade são, em geral, muito baixas, pelo que a utilização de um ponto firme de apoio (um tripé, por exemplo) é altamente recomendável.

Fotografando crianças



As crianças, devido a sua espontaneidade, oferecem a possibilidade de registros memoráveis. Captar o momento exato, entretanto, é um exercício de paciência.

Use, preferivelmente, teleobjetivas, que permitem fotografar a uma distância suficiente para não atrair a atenção do sujeito. Captar, em um só clique, um momento memorável é uma façanha. Focalize o sujeito (cuidado que ao usar aberturas muito grandes a perda de foco é freqüente) e não desgrude o olho do visor. Tente antecipar os movimentos da criança. Preste atenção a sons que possam atrair a atenção da criança e desviar seu olhar. Clique freneticamente, toda vez que achar que a situação merece ser registrada. Você vai "queimar" filme adoidado, mas quanto mais fotos, maior a probabilidade que ao menos uma saia boa. Eis uma, de um lote de mais de vinte fotos, que particularmente gosto muito:

Evite

Evite, ao fotografar crianças (vale também para animais), o enfoque "olha eu grandalhão fotografando você pequenininho". Olha que foto ruim:

Além de centralizar o sujeito, criando grandes regiões sem interesse, o ângulo escolhido para fotografar torna o sujeito insignificante. Parece até que se o observador desse um passo à frente fosse esmagar a criança. Compare esta foto com a foto abaixo:

Dá para perceber que neste registro há uma dignidade que falta na foto anterior? O fato dos olhos do sujeito estarem no mesmo plano do olho do observador coloca ambos em um mesmo plano, tornando o sujeito digno, na mesma altura do observador.

Fotografando pessoas



Olho no olho !

Retratos devem ser registros com o menor f-stop possível.Observe a foto abaixo:

Apesar que o enquadramento é correto, foi utilizado um f-stop muito grande, o que permite que a marca da moto (abaixo, à direita) seja visível, criando um elemento de distração que subtrai peso do assunto principal.

Ao utilizar aberturas muito grandes (f/4.0 ou preferivelmente inferior) a profundidade de campo é muito pequena. Focalize o olho do sujeito; é a regra de ouro para seu registro sair corretamente focado. Posicione a câmera de tal forma que a lente fique no mesmo plano que o olho do sujeito:

Note que ao escolher um f-stop pequeno todos os elementos secundários sairão fora de foco, o que é muito bom já que aumenta a sensação de tridimensionalidade.

Como fotografar paisagens

Vamos supor que você, que não é fotógrafo mas gosta de fotografar, vá a Paris. A tentação de tirar uma foto da Torre Eiffel é grande, mas esqueça: compre um cartão postal ou fotos profissionais. Você tem de ter MUITA sorte para conseguir a combinação de fatores que contribuem para um registro atraente. Dedique-se a fotografar aquilo que para os fotógrafos locais não é vendável mas para você merece uma lembrança.

Clicando

A recomendação básica para fotografar paisagens é: utilize o menor índice ASA (50 ou 25) e o maior "f-stop" possível; "f11" é o mínimo aceitável; "f22" é aconselhável. Maiores "f-stop" você só consegue em lentes profissionais.

Em uma paisagem clássica deve haver um equilíbrio entre todos os elementos, convidando o espectador a percorrer todos os espaços da foto. Geralmente não há em um registro de paisagem um elemento principal de interesse: todos os elementos tem um peso equivalente:

Ao meio dia você consegue uma luz "dura", que projeta sombras pouco acentuadas. É ideal para paisagens com grandes áreas planas:

Paissagem

De manhã cedo ou à tarde (lá pelas 16h) você consegue uma iluminação lateral ideal para fachadas de prédios. Note que quanto mais cedo ou mais tarde maior será a refração da luz solar, que dará um tom alaranjado a sua foto:

Lembre que quanto maior o "f-stop", maior a profundidade de campo, mas menor a velocidade de disparo. Provavelmente você usará uma velocidade de 1/125s, 1/60s ou talvez menor. Para efetuar um registro perfeito, e evitar quaisquer efeitos desagradáveis resultantes de tremor ao efetuar o disparo, utilize um tripé e, se sua câmera não aceita um disparador externo, use o disparo retardado (dois segundos é suficiente).

Olha eu !


Quando o assunto principal é você (ou algum outro sujeito), e a foto retrata uma pose (isto é, o sujeito sabe que está sendo fotografado), há duas abordagens diferentes, que merecem tratamento diferenciado.

Olha eu em / na / no ...

Você quer obter -para inveja dos seus amigos- uma prova convincente de sua presença em determinado local. Convença-se: você é assunto secundário. Ocupe um dos segmentos laterais do Retângulo Áureo e preencha os restantes com detalhes do local onde você se encontra. Use o maior "f-stop possível" (f11 ou acima).

Mas, onde situar o sujeito? À esquerda ou à direita? Depende da situação. Observe a foto abaixo: o sujeito foi posicionado à esquerda, já que as linhas de perspectiva insinuam profundidade à direita. Se colocado à direita, o sujeito seria bem menos notado, e afinal das contas você quer mesmo é aparecer, não é mesmo?

Lembre: reserve ao sujeito um dos segmentos áureos

Evite ... !

Fuja da tentação de colocar o(s) sujeito(s) no meio da foto! Observe a sensação de imobilidade na foto abaixo:

Nem recortando a foto se obtém um registro agradável:

Olha eu

Quando o assunto é "Olha eu" (ou "Olha meu filho/neto/sobrinho, etc") o único elemento de destaque é o sujeito, que geralmente deve ocupar a maior área possível da foto (se retratado em "close up", que é o registro ideal nesta situação). Enquadre horizontal ou verticalmente, dependendo da situação, para atingir esta recomendação. Utilize o menor "f-stop" possível para que que os quaisquer elementos secundários fiquem fora da área de focalização, e não perturbem o assunto principal.

Se o sujeito está em movimento, deixe espaço para que o movimento apareça na foto. Observe o registro abaixo:

Neste registro a profundidade de campo foi minimizada. Observe que, fora o sujeito, todo o resto aparece difuso (inclusive a ponta da vara). A atenção do espectador é desviada, imediatamente, ao sujeito (até porque ocupa um segmento áureo), que se destaca de todos os outros elementos.

Como registrar corretamente uma cena fotográfica


Em uma boa foto:

  • Os elementos de destaque estão nítidos, e corretamente iluminados

  • Os elementos estão distribuídos agradavelmente (composição)

Neste capítulo nos preocuparemos do primeiro assunto: que o registro seja correto.

Elementos que afetam o registro de uma cena

O registro de uma cena depende de três fatores: a abertura do diafragma, a velocidade do obturador e a sensibilidade do filme. Estes três elementos devem ser regulados em função da iluminação da cena a fotografar.

Se você fotografa uma cena em um dia ensolarado com um índice ASA elevado (400, por exemplo), baixa velocidade e uma pequena abertura, o resultado é certo: a foto sairá "queimada", já que entrou muita luz através da lente e o filme foi hipersensibilizado. Se, pelo contrário, você fotografa uma cena ao escurecer, com um índice ASA 100 ou menor, e uma velocidade elevada, a foto vai sair escura: não entrou luz suficiente para que o filme captasse corretamente a cena.

Como ajustar esses parâmetros

O registro correto de uma cena depende de uma leitura inicial correta. E como é feita essa leitura? Ou você dispõe de um fotômetro manual (o que é improvável se você não é um(a) profissional), ou usa o de sua câmera (que muito provavelmente tem).

Passo 1: garanta a leitura no sujeito

O "sujeito" é aquilo que você quer registrar. Pode ser uma pessoa, um pássaro ou uma paisagem (neste caso, tudo é interessante). Coloque o sujeito no centro do visor (mesmo que na foto final você decida situá-lo em um dos pontos áureos, por exemplo), e aperte suavemente o disparador. Neste ponto há uma enorme variação de câmera para câmera, mas de alguma forma você vai poder ver qual a abertura ("f-stop") e velocidade que a câmera selecionou.

Passo 2: selecione a profundidade de campo que você quer.

Suponhamos que queremos fotografar uma paisagem e obtivemos uma leitura inicial de f/4.8 a 1/125s. Um "f-stop" de 4.8 resultará em uma profundidade de campo muito limitada, e queremos amplia-la ao máximo que nossa lente permita. O que fazer?

Eis o segredo: a velocidade e a abertura estão intimamente relacionadas. Toda vez que você mexe em uma, tem de mexer na outra para que o resultado seja equivalente. Neste caso, se você diminui a velocidade à metade, para 1/60s, você pode aumentar um ponto a abertura (para f/5.6). Diminua novamente a velocidade à metade, para 1/30s, e você poderá ampliar a abertura para f/8. Mais uma vez, 1/15s permitirá uma abertura de f/11, Uma última mexida nos dará 1/8s de velocidade com abertura f/16. Ótimo: temos agora uma profundidade de campo de centenas de metros, ideal para paisagens. Mas temos de fotografar a um oitavo de segundo.

A pergunta é: esta foto, registrada segundo a leitura inicial (f/4.8 a 1/125s) sai igual que na leitura final (f/16 a 1/18s)? Sim; as cores sairão iguais, a iluminação também, só a profundidade de campo que vai variar, mas é aí onde está o segredo. Você não vai querer uma foto como a de baixo, onde a árvore em primeiro plano está focada e as montanhas perderam nitidez:

Esta não a foto de uma paisagem; é uma foto das folhas da árvore. A seleção incorreta da profundidade de campo motivo um registro tecnicamente correto (quanto à iluminação) mas "artisticamente" incorreto. Ajustando corretamente a profundidade de campo obteremos um registro adequado, onde os elementos que interessam ("todos", em uma paisagem) estão nítidos. Observe:

Modo automático (ou, "para que vou me preocupar se a câmera faz tudo para mim?")

A maioria das câmeras oferecem, atualmente, modo automático: você aponta para cena, clica e a câmera ajusta abertura e velocidade para registra-la corretamente. É isto garantia de um bom registro? Não; observe:

Apesar do fundo estar corretamente registrado, o sujeito está sub-exposto (isto é, a luz emitida pelo sujeito não sensibilizou suficientemente essa região do filme). O que aconteceu? A câmera fez um balanceamento entre as diversas áreas da cena, mas como o fundo, que ocupa a maior parte da foto, tem uma elevada luminosidade (devido ao reflexo do sol na água), o ajuste foi feito para registrar corretamente o fundo, e não o sujeito. Resultado: uma foto ruim, apesar da automação. O problema é facilmente solucionado com um flash de recheio, que proporciona ao sujeito a iluminação que naturalmente não tem:

Dificilmente o modo automático, mesmo que registre corretamente a cena, vai lhe dar a profundidade de campo que você quer. Entretanto, a seleção de uma profundidade adequada à cena é muito simples, e contribuirá para elevar sensivelmente a qualidade da sua foto.

Iluminação


Sem luz, não há fotografia. Só com a iluminação adequada você tem chances de registrar uma cena. Como você utiliza a iluminação é a diferença entre um registro convencional e uma boa foto.

Há duas fontes de iluminação: natural (luz do sol) e artificial (flash, holofote, etc).

Iluminação natural

É proporcionada pela luz do sol, que pode incidir direta ou indiretamente no assunto. A "qualidade" da luz solar varia dependendo da posição do sol, cujos raios sofrem interferência na atmosfera terrestre. Ao amanhecer, provoca tons "quentes", avermelhados ou alaranjados:

Playa de Solymar, departamento de Canelones, Uruguay

Pode, ainda, ser diluída -em maior ou menor grau- pela formação de nuvens. Observe os registros abaixo (os famosos "espigões" na Marginal Pinheiros, em São Paulo), obtidos com diferença de poucos minutos:

A diferença no resultado final é notória: enquanto na foto à esquerda não há contraste (fora as nuvens), a foto à direita registra a cena com muito mais dramaticidade. Não adianta ter luz suficiente; é necessário ter luz apropriada.

A iluminação como diferencial de suas fotos

É essencial estudar o ângulo de incidência de luz na cena a fotografar. Observe a foto abaixo:

Mato. Só isso. A foto não vale nada. Observe, agora, uma foto do mesmo local, tirada poucos instantes depois da anterior:

A foto ganhou uma perspectiva totalmente diferente, que nada tem a ver com a foto anterior. Qual foi o truque? Não há truque nenhum; simplesmente dei a volta no local, e percebi que a iluminação a contraluz proporcionava um efeito muito agradável (uma avaliação totalmente subjetiva). Após ajustar a abertura, cliquei, obtendo o resultado acima.

Além de estudar o ângulo de iluminação mais conveniente, você tem de ajustar sua câmera para registrar os elementos que lhe interessa destacar. Observe as fotos abaixo: na primeira as espigas da planta estão expostas corretamente; já os folículos estão "queimados".

Observe agora o mesmo registro no qual as espigas estão sub-expostas (escuras) mas os folículos corretamente iluminados.

Qual das fotos anteriores é melhor? A avaliação é totalmente subjetiva; para mim, a de baixo representa o que eu quis registrar.

O contraste adequado entre os elementos na foto também deve ser considerado. Observe, na foto abaixo, como o lírio é destacado, devido à sub-exposição das regiões circundantes:

Lírio

Iluminação natural em retratos

Observe, abaixo, duas versões da "drag-queen" registradas com poucos minutos de diferença:

A foto da esquerda foi registrada quando o sol estava oculto atrás das nuvens; o registro é correto, mas -para meu gosto- sem vida. Num instante que a luz do sol iluminou à cena, efetuei o registro à direita. A cor dos objetos na cena depende da iluminação que recebem. Se isto não fica claro neste exemplo, nem sei como explicar de outra forma.

Há um inconveniente na iluminação natural em retratos: se a luz do sol incide frontalmente, o modelo vai fechar parcialmente os olhos. Uma solução comumente utilizada é situar o modelo na sombra, e compensar a falta de luz com iluminação artificial (flash de recheio). Veja um exemplo:

O índice ASA (ou ISO)


O índice ASA (ou ISO, como é internacionalmente conhecido) mede a sensibilidade do filme à luz. Quanto maior o índice ASA, mais sensível à luz é o filme. Quanto mais sensível o filme, menor a quantidade de luz que você precisa para registrar uma cena.

Quando há iluminação natural adequada (cenas à luz de um dia ensolarado) um filme com ASA 100 é adequado para o usuário amador. Para dias nublados, um ASA 200 é recomendado. Para registros com baixa iluminação (um show noturno, por exemplo) recomenda-se, no mínimo, um ASA 400.

Em câmera 35mm mais antigas o índice ASA tem de ser manualmente regulado, através de um anel apropriado:

A maioria das câmeras modernas ajustam automaticamente o índice ASA ao você carregar o filme.

Lembre: quanto maior o índice ASA menor a resolução da foto.

Um registro com ASA 50 fica extremamente nítido, mas para obtê-lo você vai precisar muita luz (exemplo: cena na praia em um dia com sol, sem nuvens). Mas você poderá mandar fazer uma ampliação bastante grande sem perder a nitidez.

Um registro em ASA 800 permite fotografar um show noturno sem utilização de flash, obtendo efeitos mais naturais e agradáveis que se você utiliza-se um flash. Veja um exemplo:

Entretanto, ao ampliar a foto, aparecerá um efeito "granulado", que se bem em alguns casos é interessante, geralmente subtrai pontos do resultado final.

Lembre: Quanto maior o índice ASA, menor a luz que você precisa, maior a velocidade que você poderá usar mas menor a resolução da foto.

Velocidade do obturador


Como é efetuado o registro fotográfico? O princípio, seja em câmeras 35mm ou digitais, é similar.

O registro fotográfico ocorre ao sensibilizar um elemento (o filme, ou o CCD, em câmeras digitais), com a luz da cena a fotografar. Até o momento de você apertar o disparador, a película sensível está coberta por uma cortina, fabricada com um material opaco que impede a passagem da luz.

Ao você clicar, a cortina se abre por alguns instantes, permitindo a entrada de luz através da lente, pelo diaframga (o "buraco" no centro da foto abaixo) o que ocasiona a sensibilização da película (que, para efeitos ilustrativos, foi removida da câmera para obtenção destas imagens)..

Quanto tempo esta cortina fica aberta? Depende da velocidade de disparo que você selecionou. A forma de seleção varia de câmera para câmera; pode ser um anel, com indicação das velocidades disponíveis, que você gira em sentido horário ou anti-horário (foto abaixo)

ou qualquer outro mecanismo, mecânico ou eletrônico.

As velocidades disponíveis variam de câmera para câmera. Algumas permitem uma velocidade de até 1/4000s, o que permite "congelar" qualquer imagem em movimento (um esportista, por exemplo). A menor velocidade em qualquer câmera é a posição "B", na qual a cortina permanece aberta tanto tempo quanto o fotógrafo quiser.

A quantidade de luz que sensibiliza o filme depende, como já vimos, da abertura do diafragma (isto é, do f-stop selecionado).

Profundidade de campo


Como é que vamos representar um mundo tridimensional em uma imagem bidimensional? Perde-se na foto, como já vimos, uma dimensão (a profundidade), que pode ser reconstruída iludindo o cérebro a perceber a imagem como tridimensional. Trabalhando apropriadamente a profundidade de campo conseguiremos este resultado.

Observe a foto abaixo: há três linhas de bonecos. A primeira linha, a mais próxima da lente da câmera, não tem nitidez: está fora de foco. Os bonecos da segunda linha, entretanto, estão nítidos, e é possível visualizar os detalhes. Já os da terceira linha estão, novamente, fora de foco.

Profundidade de campo

A profundidade de campo é a região da área a fotografar que ficará nítida, desde que corretamente focalizada. Todos os elementos fora da área de nitidez, entre a lente da câmera e o fundo, ficarão, em maior ou menor grau, desfocalizados:

A profundidade de campo pode ser regulada de alguns centímetros a centenas de metros.

Mas, porque é tão importante essa tal de "profundidade de campo"

Porque este é um dos elementos essenciais para dar à foto sensação de tridimensionalidade. Desfocando, propositalmente, certas regiões da foto, você consegue induzir o cérebro do espectador a pensar que um objeto está mais distante que outro e recriar assim uma experiência multidimensional. Observe:

Não parece que o galo está saltando para fora da foto, prestes a bicar a lente da câmera ? Apesar de pecar por repetitivo, insisto: tanto o galo quanto a outra figura estão exatamente no mesmo plano. Mas seu cérebro com certeza deve pensar que a figura à direita está no fundo, atrás da figura do galo. Esse é o resultado de ter utilizado uma profundidade de campo pequena, que só permitiu focalizar a figura da mulher. E, aproveitando para repassar conceitos já vistos: o que mais chama a atenção na figura do galo? Certamente, o olho. Por quê? Se você leu os capítulos anteriores, sabe que é porque ocupa um dos pontos áureos.

Este recurso é utilizado regularmente no cinema. No próximo filme que você assista, preste atenção a cenas onde há o rosto de dois protagonistas, em planos diferentes. Quase com certeza o ator principal estará no fundo, perfeitamente focado, e seu par na frente, fora de foco. Ou ao contrário. Eis um exemplo:

Como regular a profundidade de campo

A profundidade de campo depende da abertura do diafragma, um mecanismo da lente que regula a entrada de luz na câmera. A abertura do diafragma pode variar entre fechado ao máximo (correspondente ao maior "f-stop" da câmera) até aberto ao máximo (correspondente ao menor f-stop da câmera). Os tais de "f-stop" seguem um padrão numérico universal: 5.6, 8, 11, 16, 22, etc.

Você deve estar se perguntando: "E como é que eu seleciono a profundidade de campo?". A resposta depende dos recursos tecnológicos que sua câmera disponha.

Nas lentes SLR intercambiáveis (foto abaixo) há um anel regulável onde você, girando-o à esquerda ou à direita, seleciona o número "f-stop" (ou abertura) que lhe proporcionará a profundidade de campo desejada. Os números "f-stop" são sempre apresentados em uma escala padrão: a lente da foto abaixo permite selecionar as seguintes aberturas: 3,5, 5.6, 8, 11 e 16. Quanto maior esse número, maior a profundidade de campo e, como já vimos, maior a área, em profundidade, na qual os elementos ficarão nítidos.

Se, entretanto, você possui uma câmera com lentes fixas, provavelmente não lhe seja possível ajustar manualmente a profundidade de campo, mas é bom que você saiba quais as características da câmera para poder tirar o melhor proveito das situações. Veja, por exemplo, parte das especificações técnicas de uma câmera Nikon compacta:

  • Versatile 2.9x (38mm-110mm) Nikon Zoom lens moves seamlessly from sweeping landscapes to tight close-ups

  • Lens: 6 elements in 6 groups, 38mm-110mm, f/4.5-11.9

A profundidade de campo desta câmera varia de f/4.5 a f/11.9. Isto é, você poderá fotografar pessoas ("close-ups") com uma abertura f/4.5, garantindo uma área razoável de baixa nitidez (para os elementos secundários da cena) e paisagens ("landscapes") com uma grande área de nitidez.

Vejamos um outro exemplo: a câmera Canon BF-10 tem, entre suas características:

Lens: 26mm, f/6, 3 elements in 3 groups.

Nesta câmera a profundidade de campo é fixa (f/6), e você vai ter de conviver com esta opção: sua inquietudes artísticas estarão limitadas aos recursos desta câmera.